Uma Viagem Contemporânea pela Arquitetura Flaviense







Por: Tânia Santos




Introduzo este excerto com a questão: o que é a Arquitetura? Dúvida simples, que exige resposta complexa. Talvez nunca se encontre a tal explicação “certa e única” que qualquer ser curioso persegue, mas certamente que existem aquelas que nos satisfazem mais e outras que nos parecem mais discutíveis.
Pessoalmente, associo a Arquitetura a uma atividade humana intimamente ligada à Construção. E a elas se juntam outras disciplinas, como a História, a Teoria, a Geografia, a Antropologia, a própria Matemática, que são determinantes na produção das soluções arquitetónicas.

Por outras palavras, a Arquitetura possui um caráter interdisciplinar; condição que se adapta perfeitamente ao projeto dos INDIEROR, quando este propõe tratar a cultura de forma “independente” e a partir de um “ror” de coisas.

A propósito do objetivo de divulgar a cultura local, igualmente assumido pelo grupo, propus criar uma rúbrica baseada na seleção de algumas obras arquitetónicas que integram o panorama da região flaviense. Obras estas que passam despercebidas ao público, que no entanto desempenham um papel relevante na teoria da arquitetura portuguesa.



Nesse sentido, o debate das próximas publicações concentra-se num período compreendido entre o século XX até à atualidade. Assim, não foram incluídas construções alusivas ao património histórico dos séculos anteriores, vulgarmente consideradas as responsáveis pela imagem (encantadora) da nossa cidade. Com isto não pretendo desvalorizar os feitos dos nossos construtores "pré-contemporâneos". Procuro antes explicar os motivos que, nestes últimos dois séculos, conduziram a produção arquitetónica por caminhos muitas vezes incompreendidos pela sociedade.

A aceitação de valores contemporâneos raramente resulta de um processo imediato. Para compreender é necessário tempo de reflexão; é necessário entender a circunstância que motiva determinada ação; é necessário dosear a nostalgia que nos domina (e esta aplica-se bastante ao povo português); e, por fim, é necessário ouvir e intervir.

A intenção fundamental deste discurso é reavivar um pensamento que permanece esquecido: aquilo que hoje (re)construímos também fará parte da história do futuro.
Esta primeira publicação configura uma introdução à discussão preconizada nos próximos artigos. Dado que me foi concedida liberdade total na exploração dos assuntos, dentro do ramo da arquitetura, também achei pertinente esclarecer a razão que me leva a realizar Uma viagem contemporânea pela arquitetura flaviense.