Entre Aspas #2



Por: Manuela Rainho


Embora ainda não tenha lido toda a obra do autor sobre quem vou falar, penso que o que li é suficientemente elucidativo para poder emitir um parecer sobre o escritor José Leon Machado. Ainda que não seja filho da terra, foi aqui em Chaves que se radicou e é aqui que vive. Que aspectos e vertentes do escritor me pareceram mais estimulantes e desafiantes?
Antes de mais a forma como selecciona os títulos dos romances ou colectâneas de contos. Penso que o título de um livro reveste uma importância inegável pois é a partir do mesmo e da ilustração da capa que somos cativados. Se entre o título apresentado e o conteúdo do romance existe ou não alguma identificação só o ficamos a saber depois de ler, todavia somos cativados por esse mesmo título.

As obras lidas foram: A Vendedora de Cupidos, O Guerreiro Decapitado, Memórias das Estrelas sem Brilho, Braços Quebrados, Os Incompatíveis e Jardim sem Muro. Como se pode constatar títulos diversificados, cativantes e desafiadores. Como forma de exemplificar o estranhamento sentido ao constatar que nem sempre o título reportava ao conteúdo da narrativa, posso confidenciar-lhes que A Vendedora de Cupidos é o título de uma pintura que pertence à protagonista do romance. Já relativamente à colectânea Os Incompatíveis há um nexo causal entre o título e a temática que é abordado em cada um dos contos apresentados.


 Outro aspecto que reputo pertinente relativamente ao que conheço da obra do autor é a forma desassombrada como, pontualmente, se imiscui e intervém na narrativa.



«- Os escritores são amorais. Não têm opinião sobre os próprios actos e muito menos sobre os dos outros. Apenas descrevemos, contamos como s coisas são, não procurando fazer juízos de valor. E se o fazemos é por ironia, para dar colorido ao texto.» 
(A Porca)


«- Seria mesmo o dia 22?, pergunto-me agora. Poderia perfeitamente ser o dia 21 ou 23. (…) Estratégias narrativas de verosimilhança, diria um estudioso. Mas eu não estou a escrever um romance. Não sou escritor nem tenho pretensões a sê-lo. Nem sequer simpatizo com os escritores, esses vaidosões inúteis que pensam que são melhores do que os outros, quando afinal são uns pobres diabos à procura da fama e do reconhecimento que sempre tardam.» 
A Vendedora de Cupidos).



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