Por: Paulo Coimbra
Eratóstenes (276?-194? AC) é uma
daquelas pessoas cuja mente brilhante muito admiro.
Grego de nascimento (nasceu em
Cirene, atualmente território Líbio), foi convidado por Ptolomeu III, no ano de
246 AC, para ser o tutor do seu filho e também, mais tarde, bibliotecário em
Alexandria.
Certa altura, lendo um papiro,
teve conhecimento que na cidade de Siena (agora Assuão), mais a sul, as colunas
não produziam qualquer sombra ao meio-dia do dia 21 de Junho. A própria luz do
Sol era totalmente refletida no fundo de um poço, sem qualquer sombra das suas
paredes.
Ora, nesse mesmo dia em
Alexandria, onde ele residia, isso não acontecia!
O que para qualquer outra pessoa
seria um facto banal sem dar azo a qualquer reflexão, foi para Eratóstenes
motivo suficiente para o levar a pensar! Porque é que assim era? De imediato
concluiu:
- Para as sombras serem
diferentes, a Terra teria que ser redonda, nunca poderia ser plana!
Para medir a distância entre
Siena e Alexandria socorreu-se da ajuda do rei, que disponibilizou os
bematistas – agrimensores treinados para aminhar com passos sempre do mesmo
tamanho, tendo obtido um valor (em unidades atuais) de cerca de 800 km. Mediu
também o ângulo que a sombra de uma vara fazia com a vertical, em Alexandria,
ao meio-dia do dia 21 de Junho, tendo obtido o valor de 7º 12’.
Com estes dados chegou a outra
conclusão:
- Se a 7º 12’ (um quinquagésimo
de 360º) correspondiam 800 km, a circunferência da Terra (360º) mediria cerca
de 40 000 km (50 x 800)!
Sabemos agora que esse valor é
exatamente de 40 075 km (se equatorial) e de 40 008 km (se meridional).
Com varas, passos, medidor de
ângulos e …, uma mente brilhante, tiram-se estas conclusões.
Fantástico!



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